Estou vivendo uma fase singular da minha vida… da qual eu só ouvia falar “espera só chegar”. Pois ela chegou: a adolescência dos meus filhos. É um pouco como estrear outra vez na maternidade, com direito a tudo novo e a ausência total de manual de instruções. Mais uma vez, você se vê um pouco atordoada com o sobressalto do desconhecido. Ninguém te preparou para isso, nem mesmo os anos de infância bem vividos.
Outro dia, enquanto cozinhava o almoço que o meu jovem esfomeado iria devorar, lembrava de quando ele era pequenino, correndo por aí, adorando subir nas coisas e inventando muitas histórias mirabolantes. De um bebê que deu bastante trabalho para comer, ele passou a um saco sem fundo ambulante cujos tamanhos da fome e do prato chegam a me assustar.
Já senti saudade até mesmo das birras da minha filha… bastava o pai carregar no colo e levar pra pegar no “chavão” da porta (uma chave grande, fixada numa tranca antiga da porta de madeira) pra ela acalmar. Nada se compara às birras adolescentes de quem vivencia tantas mudanças físicas e mentais sem saber direito se ainda dá pra ser um pouco criança ou se já é mesmo uma moça. Na dúvida, fica tudo meio confuso.
Se você tem filho pequeno e está achando difícil, aviso: cuidado. Você pode sentir saudade do trabalho braçal, de carregar tanto no colo, quiçá, das noite mal dormidas. Eu sei que quando temos um bebê, muitas vezes, achamos difícil sair de casa, botar o pé no trânsito ou na estrada, carregar centenas de apetrechos numa sacola, providenciar comidinhas, fraldas e até brinquedos para distrair o pequeno chorão. Mas vai por mim: é mais tranquilo do que arrastar um adolescente que não está a fim de ir pro museu, de almoçar naquele restaurante ou visitar um parente.
Acordado ou dormindo, é fácil carregar o bebê pra cima e pra baixo. Você põe no colo, amarra no sling ou no carrinho, e vai. Ele pode até chorar, mas tem uma coisa que ele não faz: ele não argumenta. E isso, minhas amigas, é a paz na Terra. As argumentações insistentes com ares de superioridade do adolescente é a maneira mais fácil de esgotar as nossas melhores energias. Haja resiliência!
Ser mãe de adolescentes é a minha nova capa de invisibilidade: ninguém faz ideia dos desafios diários vivenciados nos instantes mais corriqueiros. Nas tretas de quem atrasou mais o outro na hora de ir pra escola, nos dramas infinitos com a monstruosa matemática, nas pirraças abusadas, na preguiça no sofá que engole o sujeito, nas milhares de queixas pelos variados motivos, na atitude de achar, não, ter certeza de que sabe mais do que a gente.
Nas campanhas do dia das mães, na maior parte das histórias, pode notar: é mais fácil mostrar uma gestante, uma mãe com filho pequeno ou, então, com aquela filha adulta, duas mulheres amigas que se abraçam e se emocionam. Ninguém quer retratar os perrengues com os adolês, a cara de sono, o mau humor, a falta de ânimo para algumas coisas e o completo entusiasmo para outras — só o que os interessa.
Sim, é uma fase singular e eu estou aprendendo a aproveitar. Adoro a autonomia garantida pela idade (continua chamando a gente pra resolver tudo que não consegue), as noites inteiras de sono (esgotada dos desgastes do dia), a capacidade de arrumar as próprias coisas (depois de já ter mandado fazer 253 mil vezes) e ainda poder deixar sozinho em casa (pra ligar e gastar meia hora no telefone após ter enviado dezenas de mensagens).
Ah… com tudo isso, garanto, é mesmo uma delícia. Espera só chegar.
E agora aquele aviso esperto para a turma de São Paulo: não é só a adolescência que chega, eu também estou chegando! Estarei na Feira do Livro, no Pacaembu, no próximo dia 17 de junho, às 17 horas, com o meu Pensei, mas não disse no stand da Patuá. Você pode levar um exemplar com as minhas crônicas pra casa, autografado, com precinho de editora e sem pagar pelo frete, que tal?!
Sério, fica aqui o meu convite! Se você me lê nesta newsletter e for passar por lá, fala comigo. Vou amar receber essa visitinha. Todo leitor é muito importante para quem escreve. Fico na torcida!
Para me contar o que achou da edição de hoje, se é mãe de adolescente, ainda está esperando chegar ou nenhuma das alternativas, pode deixar seu comentário (botão abaixo) ou responder a este e-mail.
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Nos vemos na próxima edição!
Abraços literários,
Luisa Sá Lasserre
Outro dia estava falando pro meu marido, após ele reclamar da exaustão de lidar com as birras da nossa filha de 4 anos: "você já ta achando difícil agora? Espera só ela virar adolescente, vai ser muito pior!" Ele arregalou os olhos e ficou mudo, acho que visualizou nossa situação daqui 10 anos. Hahaha vou mandar seu texto pra ele! 😆
Acredito que todas as fases tem seus desafios, mas ainda prefiro a fase de ser criança, é tudo muito rico de imaginação e observação, as vezes dá vontade de congelar o tempo.
hahahaha muito bom!